ANOITECER

                                         
 Martins Fontes

"Recostado à janela, sobre o vale,
Na paisagem puríssima e tristonha,
Entro em levitação, como quem sonha,
Faço que a dor mais íntima se cale.

Vozes do coração fazem que fale
Sem que, contudo, mussitar suponha,
Uma linguagem mística e risonha,
Que a dos anjos do céu talvez iguale.

Recolhimento - paz - Melancolia.
Milhões de pirilampos, de repente,
Enchem a tarde de um fulgor fugace.

E eu, sem crenças, murmuro a Ave-Maria,
Por ativismo, hereditariamente,
Como se minha Mãe em mim rezasse!

              "Nos Jardins de Augusto Comte"



Nenhum comentário:

Postar um comentário